A Independência do Brasil e seus Contornos


www.resumoescolar.com.br Acesso: 07 set 2018


A vinda da corte portuguesa ao Brasil. No auge do poderio de Napoleão Bonaparte sobre grande parte do continente europeu, praticamente só  uma potência tinha condições de impor limites à ânsia de mais domínio do imperador francês. Esse país era a Inglaterra, que tinha Portugal como tradicional aliado. Com o objetivo de impedir que os britânicos mantivessem relações comerciais com o restante da Europa, Napoleão decretou o bloqueio marítimo continental. Portugal preferiu ficar do lado da Inglaterra e desobedecer ao decreto. Em represália, o monarca francês decidiu invadir as terras lusitanas. 

Na eminência de Portugal ser invadido pelas tropas francesas, Dom João VI e sua corte fugiram para a colônia brasileira. Em consequência da transferência da família real para o Rio de Janeiro, a cidade passou a funcionar na prática como a capital do Império Lusitano, ao invés de Lisboa. Durante o período entre 1808 e 1821, aconteceram mudanças institucionais muito importantes no Brasil. Foi criado, por exemplo, a Casa da Moeda, a primeira instituição bancária, a Imprensa Régia, e também foi liberado o comércio do Brasil com as nações amigas de Portugal, a chamada abertura dos portos. A colônia foi elevada à condição de reino unido a Portugal e Algarves. 


O estabelecimento das Cortes. Sob a influência dos ideais republicanos propagados pelo advento da Revolução Francesa, aconteceu em 1820 uma revolução de cunho liberal em Portugal. Em consequência desse levante, foram instaladas as Cortes em Lisboa. As Cortes eram uma espécie de Assembleia Nacional Constituinte portuguesa que  tinham como objetivo principal acabar com o absolutismo (regime em que o rei exercia totalmente o poder de governar) e implantar a monarquia constitucional. Entre os constituintes havia representantes de todas as regiões do império português, inclusive do Brasil, evidentemente. 

A abolição da escravatura se constituía em um dos planos mais radicais defendidos por um grupo de deputados brasileiros presentes nas Cortes portuguesas, que lutavam pela igualdade entre as pessoas, um dos pilares dos ideais republicanos. No entanto, face à total dependência que a economia tinha do serviço escravo, a liberdade dos cativos era algo impensável naquele tempo, principalmente para os grandes fazendeiros, sustentáculos da ordem monárquica vigente no Brasil agrário daquela época. O curioso é que a abolição já havia acontecido em Portugal , mas ainda era proibida nas suas colônias. 

Por outro lado, os portugueses residentes na metrópole começaram a se incomodar com a situação de fragrante inferioridade nas suas relações com o Brasil, por isso fizeram uso das Cortes para tentar reverter essa situação. O retorno imediato de Dom João à Lisboa foi uma das primeiras providências. Preocupado com a manutenção do regime que permitiria a continuidade do poderio da dinastia Bragança em solo brasileiro, o rei Dom João, ao voltar para Portugal, aconselhou o filho a tomar a dianteira no processo da independência, que parecia inevitável, antes que os revolucionários republicanos o fizessem. Foi isso que o rei quis dizer ao Príncipe Regente quando o alertou que melhor seria que ele (Pedro) assumisse a Coroa, antes que um aventureiro tomasse posse dela. 

As Cortes pressionavam pelo retorno do Brasil à condição de colônia. A fim de anular o poder do Príncipe sobre toda a vasta extensão da colônia, elas concederam autonomia a cada uma das províncias para tratarem dos seus assuntos diretamente com a Metrópole e não mais com o Rio de Janeiro. A autonomia das províncias brasileiras restringia o poder de Dom Pedro ao chamado “Município Neutro”, onde ficava sediada a capital colonial. O príncipe regente, indignado com a situação, sentia-se como uma marionete nas mãos dos deputados portugueses. 
 
 
A caminho do Grito. 
Em face da perspectiva de isolamento, Dom Pedro foi em busca do apoio de importantes províncias mais próximas ao Rio de Janeiro. Primeiro, ele se dirigiu a Minas, onde recebeu expressiva aclamação da sociedade local. Mais tarde, ele finalmente empreendeu a viagem histórica para São Paulo, passando primeiro por Santos antes de seguir para a capital da província.Depois de sair de Santos, onde realizou uma visita que poderia ter sido política ou particular, Dom Pedro seguiu viagem. Para o bem de sua imagem de herói da Independência e até por fugir do enfoque da narrativa do grande momento da História do Brasil, também não interessava aos historiadores dizer que ele foi a Santos visitar uma amante. Tampouco era significativo dizer que o príncipe regente do Brasil viajou montado em uma mula de tropeiro e não em um bonito cavalo como Pedro Américo pintou. 

A certa altura da viajem, Dom Pedro recebeu uma carta de José Bonifácio e outra da Princesa Regente Leopoldina (naquele momento, em substituição do marido que estava ausente da capital). Ao lê-las, o Príncipe ficou transtornado com as notícias vindas da Corte,  extremamente desrespeitosas para com a sua autoridade régia. Sua alteza, que se encontrava bastante estressado também  em decorrência de um problema intestinal, tinha parado à margem de um riacho(do Ipiranga, no caso) com a mesma intenção de quem se dirige a um banheiro nessas ocasiões. O conteúdo das cartas que acabara de ler foi a gota d'água para que  Dom Pedro se movesse com impetuosa indignação e subisse na sua condução animal para declarar o que não podia mais se calar e as Cortes não queriam ouvir, no que foi imitado por todos da comitiva. Em linguagem carregada de simbolismo, o príncipe bradou em alta voz: - Laços fora, soldados! As Cortes querem nos escravizar. Desse momento em diante, nenhum laço nos une a Portugal. Independência ou Morte! Que seja essa a nossa divisa! 

 
Três cabeças e uma coroa. 
É verdade que grande parte dos brasileiros desejava, no fundo, a independência, mas nem todos o admitiam abertamente. Não havia muito tempo que Tiradentes fora enforcado, condenado por ousar lutar pela liberdade nacional. Muitos políticos também eram contra. Dom Pedro não estava só, no comando das ações pela independência.Ele contava com o apoio político de José Bonifácio e da Princesa Leopoldina, sua esposa, uma mulher séria, de excelente formação, e filha do Imperador da Áustria, uma das grandes potências da época. O Patriarca da Independência e a Princesa Leopoldina foram, na verdade, os sábios articuladores do processo de independência, por trás da simbólica, impetuosa e boêmia figura do futuro imperador do Brasil. A proclamação da Independência por Dom Pedro teve um valor importante de atitude positiva para toda a nação brasileira.  
 
Como em profecia, as palavras do Príncipe conceberam o Brasil no dia 07 de setembro de 1822. Todavia, a sentença do Príncipe Regente não teria, por si só, força para libertar todo um país continental como o nosso, mas a visão do Príncipe, da Princesa e do Conselheiro terminou por concretizar a realização do sonho da Independência. Um exército formado de mercenários estrangeiros, e com uma grande participação popular, batalhou nos meses seguintes até expulsar por completo as tropas portuguesas das províncias mais ao norte, como aconteceu na Bahia, em 02 de julho de 1823. Então, finalmente, raiou o sol da liberdade no horizonte do Brasil, sinalizando que nesse dia até o sol foi brasileiro.
 

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