Entrevista Com O Fascista
Em meio à qualidade do debate nacional que estamos vivenciando nesses últimos dias, no Brasil, imagino a cena sugestiva de um filme hipotético, a partir do trocadilho com o título de um clássico do cinema, de 1994, "Entrevista com o Vampiro". Porém, neste caso, está mais para vampiro como entrevistador.
O jornalista, da 'LOBO', que está mais para interrogador, lista algumas perguntas a fazer ao 'fascista', que se encontra devidamente sentado em uma cadeira, amordaçado e com as mãos amarradas para trás, depois de sofrer uma sessão de tortura nada democrática:
LOBO: O senhor é acusado de racismo. O que diz sobre isso? (Há, por favor, tirem a mordaça dele!)
Fasc: Em nenhum momento critiquei minha Acessoria de Comunicação por ter colocado um personagem negro na peça publicitária!
LOBO: O senhor é acusado de homofobia. Como se defende da acusação?
Fasc: Jamais disse que a cidade de Pelotas exportava viado!
LOBO: As feministas o acusam de misoginia. O que tem a dizer sobre isso?
Fasc: Não se deve bater em mulher, nem dentro de casa e nem em qualquer outro lugar, independente de ela ser corintiana.
LOBO: Um telespectador que não quis se identificar disse que o senhor não dá a mínima para os Direitos Humanos. É verdade?
Fasc: Ele com certeza não ouviu direito o que eu disse; que foi: ladrão que rouba celular para tomar uma "cervejinha" com os amigos deve pagar pelo crime, como qualquer outro marginal. E que o traficante de droga não é vítima do usuário.
LOBO: Um minuto para as suas considerações finais.
Fasc: O ex-Primeiro Ministro do Reino Unido, Winston Churchill, uma vez disse que, no futuro, os fascistas iriam chamar as outras pessoas de 'fascistas'. Veja que coisa! Agora, só para finalizar: você tem certeza que seria a mim mesmo que deveria entrevistar?

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