Cidade da Baía/City of Bay
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| fotografiasaereas.com.br - Acesso: 29 mar 2022 |
Nesta data, em 1549, Tomé de Souza, o Primeiro Governador-Geral do Brasil, fundou a Cidade de São Salvador, por ordem do Rei Dom João III de Portugal, com a finalidade de se intensificar o processo de colonização do território brasileiro.
A propósito de comemorar o 476º aniversário de nossa amada Salvador, quero nesta oportunidade dissertar sobre um interessante caso de metonímia. Tradicionalmente a capital da Bahia era apelidada de Cidade da Baía – quando ainda se escrevia Bahia sem o ‘H’. Contudo, houve a necessidade de se fazer distinção entre os termos acidente geográfico que passou a ser grafado SEM, e o estado brasileiro, COM a oitava letra do alfabeto.
Em se tratando de tradição, quero citar uma outra curiosidade a respeito de Salvador, também no que tange ao uso de certas expressões de linguagem. Ainda hoje é comum visitantes de outros estados e do Interior – principalmente os do próprio Recôncavo Baiano - dizerem: ‘vou à Bahia’, em lugar de se referir a Salvador.
Nos idos das décadas de 1940 e 1950, Ary Barroso declamava em uma de suas mais famosas composições a estrofe ‘Na Baixa dos Sapateiros eu encontrei um dia a morena mais frajola da Bahia...’. Ao citar ‘Baixa dos Sapateiros’ e ‘Bahia’, o compositor mineiro se referia particularmente às tradições, história e simpatia ímpar dos nativos da primeira capital do Brasil, e não ao Estado como um todo.
Na mesma época, já morando no Rio de Janeiro, o baiano Dorival Caymmi já induzia no verso de uma canção: ‘Bahia, oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador’. Qualquer pessoa que visite a agora denominada oficialmente Cidade do Salvador sente-se atraída de uma maneira muito especial, para não dizer: original, pois ‘tudo na Bahia faz a gente querer bem. A Bahia tem um jeito que nenhuma – (outra) – terra tem’, como declamou Caymmi em sua canção. Assim, ele tem todo o meu aval de baiano nascido no interior, pois era isso o que eu sentia ao visitar a nossa Capital.
Hoje, o baiano que conhece e ama Salvador chama-a pelo nome. À vista da eterna companhia do impetuoso Atlântico e da meiga Baía de Todos os Santos, a cidade se renova todos os dias, enquanto iluminada por um Sol nascente tão belo quanto poente.
City of Bay
(March 29, 2025)
On this date in 1549, Tomé de Souza, the First Governor-General of Brazil, founded the City of São Salvador, by order of King Dom João III of Portugal, with the purpose of intensifying the colonization process of the Brazilian territory.
In order to celebrate the 476th anniversary of our beloved Salvador, I would like to take this opportunity to discuss an interesting case of metonymy. Traditionally, the capital of Bahia was nicknamed City of Bay – when Bahia was still written without the ‘H’. However, it was necessary to make a distinction between the terms geographical accident, which began to be written WITHOUT the letter, and the Brazilian state, WITH the eighth letter of the alphabet
When it comes to tradition, I would like to mention another interesting fact about Salvador, also regarding the use of certain expressions in language. Even today, it is common for visitors from other states and the interior – especially those from the Recôncavo Baiano region itself – to say: ‘I’m going to Bahia’, instead of referring to Salvador.
In the 1940s and 1950s, Ary Barroso recited in one of his most famous compositions the verse ‘In Baixa do Sapateiro I found one day the most frajola brunette in Bahia...’. When mentioning ‘Baixa dos Sapateiros’ and ‘Bahia’, the composer from Minas Gerais was referring specifically to the traditions, history and unique friendliness of the natives of Brazil’s first capital, and not to the state as a whole.
At the same time, already living in Rio de Janeiro, Bahian Dorival Caymmi already induced in the verse of a song: ‘Bahia, oh, Bahia, Bahia city of São Salvador’. Anyone who visits the now officially named City of Salvador feels attracted in a very special way, not to say: original, because ‘everything in Bahia makes us love it. Bahia has a way that no – (other) – land has’, as Caymmi declaimed in his song. Thus, he has my full support as a Bahian born in the countryside, because that was what I felt when I visited our Capital.
Today, the Bahian who knows and loves Salvador calls it by its name. In view of the eternal company of the impetuous Atlantic and the gentle Bay of All Saints, the city renews itself every day, while illuminated by a rising Sun as beautiful as the setting.

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