Meu amigo, o Tempo/My friend, the time
Meu amigo, o Tempo
(02 de agosto de 2021)
É comum se dizer saudosamente "bom mesmo era o tempo de minha juventude, na minha cidade, no convívio com meus antigos amigos. Éramos felizes e não sabíamos”! Mas acontece que o tempo não passou, ele continua o mesmo, a cidade também. E se voltássemos àquele lugar querido, a fim de resgatar bons momentos da vida?
Vejam o meu caso. Deixei Juazeiro logo que completei minha maioridade, há 44 anos, e só voltei depois de quase três décadas. Aproveitei para rever os lugares por onde costumava passar, reavivando a memória de acontecimentos e pessoas que não estavam mais lá. Vi desconhecidos passarem por mim, para os quais eu sou estranho. Na maioria, jovens que ainda não tinham nascido quando eu morava na cidade.
Os mais velhos me olhavam desconfiados, e talvez achando que me conhecessem. Eu não iria chegar para eles e dizer: “vem cá, eu conheço você? Por que está me encarando”? A coisa poderia ser mais divertida, mas eu sou um pouco acanhado, embora não tímido.
Mas, onde eu estava mesmo? As lembranças das velhas amizades me assaltam a mente. Há, sim: cadê todo mundo? O espelho de um quarto de hotel a beira rio me responde: ‘eu é que pergunto: cadê você? Por onde você tem andado?’ Você sabe, eu cresci, constitui família, tornei-me pai. Enfim, segui meu caminho. ‘Sei(!), retrucou meu reflexo, e continuou sabiamente: Então, o que pensa que todo mundo fez? Seguiu sua vida também, ora!".
Diante dos meus olhos, lá fora, a correnteza do São Francisco desfilava veloz, cintilante em prata, ao sol de uma linda e enxuta manhã de inverno no Nordeste Central . Gosto de Juazeiro também porque de lá posso admirar Petrolina ¹.
Voltando da viagem das minhas recordações, poderia concluir facilmente que o tempo passou também para mim e que não há o que se possa fazer para que tudo volte a ser como antes. Será mesmo? Mas como é possível que tudo volte a ser como "antes"? Bem, o fato é que continuo a viver, não é mesmo? Estou com saúde, e tenho o suficiente para me alegrar e pacificar, nunca quis me empanturrar com os excessos da vida. Por isso, insisto com o argumento proposto no primeiro parágrafo deste artigo: o tempo não passou.
Preste atenção, observe que o tempo nunca acaba enquanto se vive, ele continua fazendo o que sempre fez, em qualquer época ou idade: sempre presente, ele passa diante de nossos olhos, em todo momento, enquanto você dorme, acorda, ou realiza qualquer atividade. O tempo é incansável, porque quem cansa somos nós. Com isso, não nos damos conta de que, comodamente, fazemos dele o nosso reflexo.
Embora nossos velhos amigos não estejam mais lá, a verdade é que apenas mudamos, nos transformamos e movemos, de modo que não somos mais os mesmos, com o passar dos anos, meses, dias e até segundos de nossas vidas. E quer saber de uma coisa? Acontece a mesma coisa com o Velho Chico, de dois parágrafos atrás. Você olha suas águas, da janela de um hotel ou do cais, mas a cada olhar elas não estão mais ali, são outras que passam². Com certeza, estamos sempre diante de um Novo Chico, pode anotar!
Bem, tudo o que eu quero dizer é que não vale a pena sofrer porque "o tempo passou". Isso não é verdade, a passagem do tempo não é justificativa para o sofrimento de ninguém, pois como já disse antes, o tempo está no presente da vida de todas as pessoas.
O Tempo é de todos. Se quiser ter ainda uma vida de alegria, paz e realizações, você pode, basta aproveitar o tempo. Não deixe o tempo passar, por desânimo, medo ou preguiça. Na dúvida, dê um tempo. Passe tempos gostosos com a família e amigos. Não perca tempo com bobagens ou inimizades supérfluas. Dê tempo ao Tempo. É preciso amar as pessoas³ - se necessário - com o mesmo empenho de quem foge para longe de uma bomba-relógio.
A juventude fazia muitas coisas por nós. Dávamos gostosas gargalhadas. Divertíamo-nos sem tantas responsabilidades ou experiências. Por que isso acontecia? Porque tínhamos o tempo todo ao nosso lado, e sabíamos que podíamos contar com ele. Hoje, nossos velhos amigos só estão presentes em nossas lembranças; apenas o Tempo permanece do nosso lado. O problema é que nos esquecemos de que ainda podemos contar com ele.
Há tempo para tudo nesta vida*: perdoar e aceitar perdão; ser grato por tudo; orar, louvar e esperar a bênção do Senhor a seu tempo. Só não há tempo a perder. Valorize pois o tempo em tudo o que fizer, enquanto viver neste mundo. Acredito ser assim que se alcança a essência da vida. Quando pensar que não, o tempo acabou. Mas então a Eternidade já lhe recebeu de braços abertos e você nem notou.
Ideias:
(¹) = Caetano Veloso, cantor e compositor;
(²) = Heráclito, filósofo grego;
(³) = Renato Russo, cantor e compositor brasileiro;
(*) = Salomão, rei e profeta hebreu
* * *
*** Article originally published
on August 02, 2021 ***
(Today is the centenary of my father's birth, and no one better than him to have taught me about time, for the eighty-five years and twenty-four days of his life plus my forty-seven, with our coexistence. I dedicate this article to the memory of Paulo Martins dos Santos, my father, with affection).
My friend, the time
(August 2, 2021)
It's common to say nostalgically "the time of my youth was really good, in my city, spending time with my old friends. We were happy and we didn't know it”! But it turns out that time hasn't passed, it remains the same, and so does the city. What if we returned to that beloved place, in order to rescue the good moments of life?L
ook at my case. I left Juazeiro as soon as I reached the age of majority, 44 years ago, and only returned after almost three decades. I took the opportunity to revisit the places I used to go, reviving the memory of events and people that were no longer there. I saw strangers pass me, to whom I am a stranger. Most of them were young people who hadn't yet been born when I lived in the city.
The older ones looked at me suspiciously, and perhaps thinking they knew me. I wouldn’t go up to them and say: “Come here, do I know you? Why are you staring at me”? Things could be more fun, but I'm a little shy, although not shy.
But where was I again? Memories of old friendships assault my mind. Yes, there is: where is everyone? The mirror of a hotel room by the river answers me: ‘I’m the one asking: where are you? Where have you been?’ You know, I grew up, started a family, became a father. Anyway, I went on my way. ‘I know(!), replied my reflection, and continued wisely: So, what do you think everyone did? He moved on with his life too, well!"
Before my eyes, outside, the current of the São Francisco passed quickly, sparkling in silver, in the sun of a beautiful and dry winter morning in the Central Northeast. I also like Juazeiro because from there I can admire Petrolina ¹.
Coming back from the journey of my memories, I could easily conclude that time has passed for me too and that there is nothing that can be done to make everything go back to the way it was before. Really? But how is it possible for everything to go back to the way it was "before"? Well, the fact is that I continue to live, right? I am healthy, and I have enough to be happy and pacified, I never wanted to gorge myself on the excesses of life. Therefore, I insist on the argument proposed in the first paragraph of this article: time has not passed.
Pay attention, notice that time never ends while you live, it continues doing what it has always done, at any time or age: always present, it passes before our eyes, at all times, while you sleep, wake up, or perform any activity. Time is tireless, because we are the ones who get tired. With this, we don't realize that we comfortably make it our reflection.
Although our old friends are no longer there, the truth is that we just change, morph and move, so that we are no longer the same, as the years, months, days and even seconds of our lives pass. And do you want to know something? The same thing happens with Velho Chico, from two paragraphs ago. You look at its waters, from the window of a hotel or from the pier, but with each look they are no longer there, others are passing by². Of course, we are always faced with a New Chico, take note!
Well, all I want to say is that it's not worth suffering because "time has passed." This is not true, the passage of time is not a justification for anyone's suffering, because as I said before, time is present in everyone's life.
Time belongs to everyone. If you still want to have a life of joy, peace and achievements, you can, just take advantage of the time. Don't let time pass, due to discouragement, fear or laziness. When in doubt, give it some time. Spend quality time with family and friends. Don't waste time on nonsense or superfluous enmity. Give Time time. You have to love people³ - if necessary - with the same commitment as someone running away from a time bomb.
Youth did many things for us. We had a good laugh. We had fun without so many responsibilities or experiences. Why did this happen? Because we had all the time on our side, and we knew we could count on him. Today, our old friends are only present in our memories; only Time remains on our side. The problem is that we forget that we can still count on him.
There is time for everything in this life*: to forgive and accept forgiveness; be grateful for everything; pray, praise and wait for the blessing of the Lord in due time. There's just no time to waste. Therefore, value time in everything you do while you live in this world. I believe this is how you reach the essence of life. When you think not, time is up. But then Eternity already welcomed you with open arms and you didn't even notice.
Ideas:
(¹) = Caetano Veloso, Brazilian singer and composer
(²) = Heraclitus, Greek philosopher
(³) = Renato Russo, Brazilian singer and composer
(*) = Solomon, Hebrew king and prophet

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