Do jeito do Brasil/The way of Brazil
(19 de dezembro de 2021)
Eu entendo a cultura, no seu sentido geral, como a marca ou registro da ação humana, em um espaço e tempo determinados, reflexo de sua relação com o meio ambiente, no curso da História. Os povos se desenvolvem basicamente pelo amálgama das suas próprias experiências em particular. É isso que os distingue cultural e internacionalmente. Por conta dessa distinção básica, nem sempre um negócio ou produto bem-sucedido em seu país de origem será adequado para a realidade de outro país.
Em nosso caso específico, o foco é o Brasil, e é certo que bons exemplos de outros países existem para serem seguidos. Fora isso, a evolução científica, industrial e tecnológica, vem nos prover de excelentes oportunidades de desenvolvimento autossustentável e permanente. Isso não se discute. A questão é avaliar e adequar os recursos que recebemos como legados de nações mais desenvolvidas às nossas condições, não só culturais como naturais.
No tocante à símbolos e produtos de natureza cultural importados, já não contemplo garantia total de vantagens para o crescimento do país. A adoção modista de termos linguísticos de idioma estrangeiro como o inglês, que é um exemplo predominante, não contribui para a perfeita comunicação nos processos negociais internos, onde a quase totalidade dos participantes fala o português. Sem falar que nem a nossa língua nativa tem sido valorizada por nós como deveria. Haja visto tratar-se da disciplina cujo conhecimento e aprendizado é da mais alta importância, básico a qualquer uma das demais ciências.
Cabe a nós brasileiros atentar para o que realmente precisa ser imitado dos Estados Unidos. Por exemplo, a festa do Halloween com certeza não é; o Black Friday também não faz o menor sentido. Liberação dos Cassinos? Nem pensar! Por outro lado, na verdade, tenho grande admiração pelos Estados Unidos. Esse país é o melhor exemplo que o Brasil pode ter, justamente no tocante a essa questão que estamos discutindo, pois o considero a nação mais criativa de todas, e paradoxalmente a que melhor aproveita os bons exemplos de outras nações, porém a mais imitada.
Estou falando de desenvolvimento de ferrovias, transporte marítimo e fluvial, porque somos um país de extensões continentais, com uma grande costa, muitos e grandes rios, nossas estradas naturais. Privatizações, sim, ok, más há implicações nisso também. Instituições centenárias já arraigadas culturalmente precisam ser consideradas.
O liberalismo econômico não deve ser levado tão a sério como uma ciência exata, leve-se em conta o valor cultural, que em última instância é também um valor econômico por excelência, antes de se pensar em privatizar tudo. A cultura é algo muito mais poderoso do que o mercado ‘pensa’. Portanto, antes de se propor grandes mudanças estruturais no país, nossos empreendedores, ideólogos e políticos devem levar o Brasil em conta, com todas as suas nuances.
A grande maioria dos brasileiros é constituída de cristãos, que deve se assumir como tal, sim, nas grandes discussões e negociações que envolvem o país e suas instituições, deixando de ser presa fácil na mão de tradicionais usurpadores do poder, e fazendo valer o fato de que o Estado pode ser laico, mas não necessariamente ateu.
O Brasil precisa se afirmar com sua própria "cara", zelando por seus bens duradouros. Estou falando de valores tradicionais imateriais, espirituais, comportamentais, institucionais, e físicos também. O melhor exemplo básico a ser seguido pelo Brasil é o próprio Brasil. Será a partir desse entendimento que o país prosperará por completo, fazendo as coisas do seu jeito. Não confundir com o jeitinho brasileiro, pois esse deve ser, digamos assim: superado, de uma vez por todas.
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The Brazilian way
(December 19, 2021)
I understand culture, in its general sense, as the mark or record of human action, in a determined space and time, a reflection of its relationship with the environment, in the course of history. Peoples develop basically through the amalgamation of their own particular experiences. That's what sets them apart culturally and internationally. Because of this basic distinction, a business or product that is successful in its home country will not always be suitable for the reality of another country.
In our specific case, the focus is on Brazil, and it is certain that good examples from other countries exist to be followed. Apart from that, scientific, industrial and technological evolution has provided us with excellent opportunities for self-sustainable and permanent development. This is not disputed. The question is to assess and adapt the resources we receive as legacies from more developed nations to our conditions, not only cultural but also natural.
With regard to imported symbols and products of a cultural nature, I no longer contemplate a total guarantee of advantages for the country's growth. The fashionable adoption of foreign language linguistic terms such as English, which is a predominant example, does not contribute to perfect communication in internal business processes, where almost all participants speak Portuguese. Not to mention that not even our native language has been valued by us as it should. Since this is the discipline whose knowledge and learning is of the highest importance, basic to any of the other sciences.
It is up to us Brazilians to pay attention to what really needs to be imitated in the United States. For example, the Halloween party is definitely not; Black Friday doesn't make any sense either. Casino release? No way! On the other hand, I actually have great admiration for the United States. This country is the best example that Brazil can have, precisely with regard to this issue we are discussing, as I consider it the most creative nation of all, and paradoxically the one that best takes advantage of the good examples of other nations, but the most imitated.
I'm talking about the development of railways, maritime and river transport, because we are a country of continental extensions, with a great coast, many great rivers, our natural roads. Privatizations, yes, ok, but there are implications for that too. Centuries-old institutions that are culturally ingrained need to be considered.
Economic liberalism should not be taken so seriously as an exact science, take into account the cultural value, which ultimately is also an economic value par excellence, before thinking about privatizing everything. Culture is something much more powerful than the market 'thinks'. Therefore, before proposing major structural changes in the country, our entrepreneurs, ideologues and politicians must take Brazil into account, with all its nuances.
The vast majority of Brazilians are Christians, who must assume themselves as such, yes, in major discussions and negotiations involving the country and its institutions, no longer being easy prey in the hands of traditional usurpers of power, and making the fact count that the State can be secular, but not necessarily atheist.
Brazil needs to assert itself with its own "face", caring for its durable goods. I'm talking about traditional immaterial, spiritual, behavioral, institutional, and physical values as well. The best basic example to be followed by Brazil is Brazil itself. It will be from this understanding that the country will fully prosper, doing things in its own way. Not to be confused with the brazilian litter way, as this must be, let's say: overcome, once and for all.
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